sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Diffuser.fm: Tokio Hotel fala sobre amadurecimento e o novo álbum "Kings of Suburbia"

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Como muitas bandas jovens, Tokio Hotel era apenas um grupo de músicos que queria seguir seus sonhos e se tornar rockstars. A partir do momento em que lançaram seu álbum de estreia, "Schrei", em sua terra natal, Alemanha, em 2005, os roqueiros foram rapidamente catapultados para um turbilhão de turnês internacionais esgotadas e um nível de fãs para o qual eles talvez não estivessem prontos - tudo isso enquanto vendiam milhões de discos. E agora, com mais de uma década de experiência na indústria da música, Tokio Hotel está de volta com seu primeiro álbum em cinco anos.

"Kings of Suburbia" - que chegou às lojas em outubro passado - não só mostra outra coleção de músicas do Tokio Hotel, as quais os fãs têm esperado ansiosamente, mas também se concentra em uma mudança em sua direção musical. Embora ainda aborde temas pessoais e, por vezes, difíceis, o som das canções como "Love Who Loves You Back" é mais enérgico e pode até inspirar você a dançar no seu quarto (assim como eu fiz enquanto a ouvia) em comparação com a música que eles produziam antes. É claro que existem algumas músicas mais sombrias como "Run, Run, Run", mas há claramente um espírito rejuvenescido que percorre o álbum e que vai juntar fãs antigos e novos nesta nova era do Tokio Hotel.

Tivemos a oportunidade de conversar com o vocalista Bill e o multi-instrumentista Tom Kaulitz (irmãos), o baixista Georg Listing e o baterista Gustav, sobre a vida, música e tudo mais. Eles não só foram um livro aberto sobre os obstáculos que enfrentaram por serem famosos em sua cidade natal e por tentarem viver uma "vida normal", como também sobre o quanto os membros da banda cresceram e como vão ser os próximos anos para eles.

"Agora que caímos na estrada novamente," Bill Kaulitz nos contou "não importa onde vivemos - em outros países ou em hotéis ou no ônibus, tanto faz. Portanto, durante os próximos dois anos, não importa onde vivemos."

Descubra o que mais o Tokio Hotel revelou na nossa conversa exclusiva abaixo:

Vocês diminuíram o ritmo desde "Humanoid", embora todos continuem fazendo suas coisas pessoais. Vocês podem falar sobre alguns anos atrás, antes de começarem a trabalhar no "Kings of Suburbia"?
Bill: Bem, nós meio que fizemos uma pausa por um ano. Depois de "Humanoid" nós fizemos muita turnê e passamos muito tempo na estrada, tocamos na América do Sul e na Europa. Então passamos um tempo na estrada e depois disso não queríamos fazer nada no ano seguinte. Bem, Tom e eu saímos da Alemanha e nos mudamos para Los Angeles. Aí começamos lentamente a voltar ao estúdio e fazer música de novo. O lugar nos inspirou, então começamos a escrever músicas, mas não estávamos trabalhando no álbum constantemente. Porém houve momentos em que não entramos no estúdio durante alguns meses. Estávamos fazendo outra coisa ou apenas curtindo a vida, porque não tínhamos um prazo nem nada deste tipo. Só queríamos escrever as músicas, ficar no estúdio, fazer o melhor álbum possível e lançá-lo quando estivéssemos prontos.

Eu estava vendo alguns vídeos no seu canal do YouTube, "Tokio Hotel TV", e um dos vídeos que chamou minha atenção foi sobre as razões de Bill e Tom terem se mudado para Los Angeles e como era difícil para vocês viverem na Alemanha. Vocês podem falar um pouco sobre isso?
Bill: Eu acho que toda a mudança para os EUA foi, é claro, por razões particulares, e foi super necessário fazer isso. Quero dizer, era impossível para mim ter uma vida fora da banda. Então, quando íamos para casa [na Alemanha], era como viver em uma prisão o tempo todo. Não podíamos sair nem fazer nada.
Tom: Só para sair de casa, tínhamos que correr para uma van e falar com nossa equipe e com nossos seguranças. Portanto, qualquer coisa que queríamos fazer virava um grande problema, você entende o que quero dizer? Era impossível fazer coisas normais.
Bill: Nós pensamos que, se quiséssemos fazer uma pausa ou viver a vida por um tempo, não era possível na Alemanha. Tentamos durante muito tempo. Uma vez, algumas pessoas invadiram nossa casa e por causa disso pensamos "Ok, não dá mais." Então, depois disso nós meio que nos mudamos - e foi bom. Deu muito certo para nós. E em Los Angeles, todo mundo tem suas coisas para fazer, então é o lugar perfeito para nos esconder e simplesmente fazer coisas normais.

Qual é a melhor parte de morar em Los Angeles?
Bill: Eu amo o clima - e amo a liberdade.
Tom: É praticamente a mesma coisa. Mas o que eu odeio em LA é que tudo fecha cedo, e não dá para comprar bebida alcoólica depois das 2 da manhã. É meio difícil porque você sempre quer ter um pouco de bebida para as festas.

E para Georg e Gustav, como tem sido viajar entre a Alemanha e a Califórnia?
Georg: É claro que nós amamos a Alemanha porque nossas casas e amigos estão aqui, e amamos tê-los por perto. Mas eu também gosto de ir para LA de vez em quando, mas a cidade é um pouco grande demais para mim. Eu prefiro Magdeburg [na Alemanha]. [risos]
Tom: Quer saber? A verdade é que, Georg e Gustav estão amando essa vida de viajante, e é por isso que eles gostam de morar em Magdeburg. Todo mundo os reconhece na rua e eles dirigem seus carros grandes, eles têm a vida dos sonhos lá. [Todo mundo ri]

Agora, a respeito do álbum. Apesar de ele ter o som marcante do Tokio Hotel, ele também é muito diferente daquilo que vocês costumavam fazer. O que influenciou essas mudanças no som?
Bill: Eu acho que não foi planejado. As pessoas pensam que tudo que fazemos é planejado. Nós só nos deixamos levar e nunca pensamos em nada. Não pensamos em um certo som ou em uma determinada maneira a respeito do álbum nem nada disso. Simplesmente acontece. Mas, ao mesmo tempo, nós queríamos fazer um álbum que faça sentido e que tenha um som legal. Foi assim que escolhemos as músicas das 50 músicas que escrevemos e gravamos. Mas nunca conversamos sobre o som. Foi algo que estava em desenvolvimento. Eu acho que, em cinco anos, você muda muito. O seu nível de bom gosto muda, então simplesmente aconteceu.

Quanto tempo levou para fazer o álbum?
Bill: Se fosse levar tudo em consideração, eu diria cerca de três anos. Mas, é claro, nós tiramos uns meses de férias.
Tom: Você não trabalha constantemente. Às vezes você só vai ao estúdio, come pizza e bebe cerveja, aí depois bebe cerveja e come pizza, principalmente se estiver super tarde. E essa é a parte legal do nosso trabalho. [Risos]

Quais são as suas músicas mais memoráveis do álbum?
Bill: "Stormy Weather", porque foi a primeira música que escrevemos. Depois disso, pensamos, "Ok, essa é a música mais importante e a razão para fazer o novo álbum." Depois dessa música, nós decidimos fazer o novo álbum. Antes, estávamos brincando com as canções, mas não estávamos levando a sério. Mas, após essa música, nós sabíamos que era hora de fazer um álbum. Então eu penso que essa música é a mais importante do álbum.
Tom: É muito, muito difícil escolher, porque eu produzi tudo. Então passei muito tempo com cada música, e trabalhamos duro no álbum. Mas quando olho para trás, "Girl Got A Gun" é uma canção especial para mim, porque foi uma das músicas que, desde a produção, tudo correu super rápido. Nós compomos essa música em algumas horas, aí eu produzi e todo mundo simplesmente adorou. Levou um dia para praticamente finalizá-la, pelo menos foi o que pensamos. Então, no início, foi a música que todo mundo amou. Mas, quando chegamos ao fim da produção, ela se tornou a mais difícil para finalizar, porque todo mundo fez muitas alterações nela. E, em questão de produção, eu sinto muito orgulho desta canção, porque ela é bem detalhada.
Georg: Para mim foi "Great Day", quando eu gravei a parte do baixo. Foi um sentimento e uma atmosfera especial. Tenho boas memórias desse momento no estúdio.
Gustav: Para mim é "Louder Than Love". Eu toco bateria. E quando você ouve essa música, você sente algo especial.

Então, o álbum foi lançado há alguns meses. Na época do lançamento, ele pareceu emplacar muito bem nas paradas de vários países. Claramente o Tokio Hotel não foi esquecido. Mesmo depois de todo esse tempo que vocês tiraram para fazer uma pausa, vocês lançaram um álbum e automaticamente ficou em primeiro lugar, como vocês se sentem em relação a isso?
Bill: É incrível! É exatamente o que todo mundo quer. [Todos riem] É a melhor coisa. Parece um sonho.
Tom: Se você pode ter anonimato, ter uma vida e ainda assim lançar um álbum que as pessoas se interessem, amem e que atinja o primeiro lugar, é incrível. Esta é provavelmente a melhor coisa que pode acontecer para um artista ou uma banda, eu acho. Mas, ao mesmo tempo, nunca esperávamos isso. Hoje em dia, as pessoas lançam discos o tempo todo, todo dia, e muitas pessoas estão agitadas. É louco. Quero dizer, a indústria da música mudou muito, e nós ainda somos jovens. Somos uma banda jovem, mas estamos na indústria da música há mais de 10 anos.

Quais são alguns dos equívocos que as pessoas ainda fazem a respeito do Tokio Hotel?
Bill: Ainda há pessoas que pensam que somos uma banda criada ou que alguém nos juntou porque "eles são tão diferentes", como se fizéssemos parte de um programa de TV ou se tivéssemos um manager por trás. [A banda] começou há muito tempo, e nos juntamos por causa da música. E o fato é, nós somos uma banda que foi formada em nossa cidade natal porque amamos música. Escrevemos e tocamos nossa própria música. Somos músicos. Infelizmente, as pessoas esquecem isso às vezes.

Vocês começaram quando eram jovens, há alguma coisa que vocês queriam poder ter dito ao seu eu mais jovem?
Bill: Eu acho que tudo faz sentido e eu não mudaria nada no passado. Mas, provavelmente, eu teria dito a mim mesmo para relaxar e não ter muita responsabilidade muito cedo. Lembro-me de quando tinha 13 anos, eu pensava que podia aguentar e lidar com tudo. Eu não via a hora de fazer 18 anos, ser independente e fazer todas essas coisas. Então eu levei tudo muito a sério. E olhando para trás, eu meio que vejo que teria seria bom se eu tivesse sido inocente e não tivesse tido muita responsabilidade quando era criança. Eu sempre quis isso, mas agora eu queria poder ter dito a mim mesmo para me divertir e aproveitar mais minha adolescência.
Tom: Eu provavelmente teria dito a mim mesmo para ler os contratos que assinei. [Todo mundo ri]
Georg: Essa é uma boa ideia. Eu também teria feito isso.

Quais são seus planos para 2015?
Bill: Nós sempre temos um milhão de planos, mas acho que tudo se resume a quanto podemos fazer no ano. Portanto parece que o ano novo vai ser muito louco. Nós acabamos de ver nossa agenda para os primeiros meses e, basicamente, faremos ensaios para montar nosso show. Vamos fazer muita divulgação nos EUA e, em seguida, sairemos em turnê no mundo todo e vamos tocar em todos os países. Também estamos sempre fazendo música nova e estamos planejando fazer um novo álbum.



Tradução: Naah - LdSTH
Fonte

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