quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Fastforward-magazine.de: Entrevista com Tokio Hotel

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O quinto membro não oficial do Tokio Hotel me recebe imediatamente quase engolindo minha mão direita. Bem, geralmente eu mantenho uma certa distância dos meus entrevistados, mas abro uma exceção para o Pumba, é claro. Mas o bulldog de Bill Kaulitz fica decepcionado por não poder participar da conversa, já que ele deve passear pelo hotel com uma jovem mulher durante a entrevista. Relutantemente ele deixa a suíte no Ritz Carlton, então Bill e Tom Kaulitz, Georg Listing, Gustav Schäfer e eu nos acomodamos no sofá. "Ele não gosta de ir com os outros, normalmente ele corre atrás de mim", diz Bill enquanto olha seu amiguinho se distanciar com orelhas caídas. Mas o bom humor dos outros membros da banda está inabalável. Latas de Red Bull são abertas para combater o cansaço que está por vir. (Tom para Georg: "Você não vai colocar em um copo agora, vai?" Georg: "Sim, vou beber em um copo. Saúde!") Agora, depois de alguns anos tranquilos, as coisas estão acontecendo de forma turbulenta para o Tokio Hotel de novo. Acima de tudo, estou feliz por eles estarem conversando comigo. De preferência, quando o assunto é sobre o que uma banda mais gosta de fazer - música!

Nas últimas semanas, eu observei atentamente o que estava acontecendo em sua página no Facebook. Primeiro, houve uma grande algazarra, é claro, quando finalmente se tornou possível ouvir as novas canções. O som mudou muito. Vocês também acham essa mudança muito extrema? Foi um processo lento ou uma decisão consciente?
Tom: Foi mais um processo lento, mas é claro que percebemos que isso é completamente diferente de tudo que já fizemos antes. Quando você compara esse álbum com o nosso segundo, por exemplo, a diferença é ainda maior. O som de "Humanoid" já é diferente, naquela época fizemos experiências com sintetizadores e programações. Apenas continuamos com isso agora. Para nós, é um processo e desenvolvimento que estavam ocorrendo durante um longo tempo.
Bill: Depois do último álbum, não podíamos continuar daquela forma. Eu não tinha inspiração, não sabíamos que tipo de música queríamos fazer. É claro que poderíamos ter feito um outro álbum como aquele [Humanoid] de novo. Mas ficamos em turnê por tanto tempo e primeiramente tínhamos que ter inspiração. Para mim, ser autêntico ou permanecer fiel a si mesmo significa se deixar levar com seu desenvolvimento e não apenas fazer o que seus fãs querem ouvir. Eu também queria fazer um álbum que eu gostasse de ouvir em casa.
Tom: Muitos artistas lidam com isso de forma diferente. Avril Lavigne, por exemplo. Aquela mulher está negando ter quase 40 anos para continuar fazendo o mesmo rock adolescente que ela fazia quando tinha 16 anos. E ela faz isso porque sabe que esse é o público-alvo dela, "oh, meus fãs vão amar então vou fazer isso pelo resto da minha vida". Esse é o jeito dela de permanecer fiel a si mesma - Eu duvido que ela gosta de ouvir a música atual dela em particular. Para nós, estava claro que não queríamos ficar parados no mesmo lugar. Também tínhamos nosso público-alvo, que amava o que fazíamos. Mas não queríamos ficar parados no mesmo lugar, tendo o mesmo público pelo resto das nossas vidas e satisfazendo nossos fãs. Queremos permanecer fieis a nós mesmos, fazendo o que gostamos de fazer. Isso não significa que não gostamos mais dos nossos álbuns antigos - mas eles ficaram para trás. Fizemos muita música e continuamos fazendo música todos os dias - por isso ela [música] muda. Não queremos ficar parados no mesmo lugar.

Eu acho que é completamente compreensível, principalmente devido ao fato de vocês terem começado muito cedo. Eu, pessoalmente, não gosto mais de tudo que gostava quando tinha 16 anos...
Bill: Claro, você desenvolve um gosto diferente e também, nossas vidas mudaram durante esses cinco anos desde o nosso último álbum. Você ouve música diferente, todo mundo sabe disso. Para mim é sempre importante fazer o que quero fazer naquele momento. Pode ser que daqui a dois anos vou dizer que não gosto mais de música eletrônica, que vou fazer um álbum diferente... é importante ser autêntico. Não tentar satisfazer o que as pessoas esperam de você. Acho que você só consegue ser bem sucedido quando faz o que gosta e está 1000% por trás disso.

Devo dizer que nossa conversa ainda é sobre uma mudança bem orgânica. Sua música já era melódica antigamente, e caracterizada pelas letras de músicas que eram tendência na época.
Bill: Exatamente! Eu também acho isso engraçado. Alguns escrevem agora "eles eram mais roqueiros antigamente". Mas, naquela época, ninguém dizia que o que fazíamos era rock! (risos) De repente, nossos riffs de guitarra eram irados, mas ninguém escreveu isso no passado!
Tom: Naquela época nós esperávamos que alguém fosse escrever aquilo!

Quando vocês escrevem suas músicas, como elas ganham forma? A melodia é sempre a primeira coisa, eu acho.
Tom: A composição foi totalmente diferente desta vez. Primeiro tivemos algumas sessões com produtores e compositores. Fizemos um pouco disso, mas não pareceu certo. O último álbum teve muita produção. Tentamos fazer isso de novo, mas chegou uma hora em que Bill e eu nos olhamos e decidimos que não estava indo na direção certa. Eu disse ao Bill "vamos construir um estúdio em casa e fazer música todos os dias, como queremos".
Bill: No começo foi frustrante porque ninguém entendia o que queríamos. De alguma forma, não conseguíamos progredir porque queríamos experimentar coisas novas, mas ninguém entendia isso. E para sair da frustração já que ninguém entendia o que queríamos fazer, decidimos fazer por conta própria.
Tom: A primeira música que escrevemos para esse álbum foi "Stormy Weather" e nessa música a composição já foi completamente diferente. Não comecei gravando os riffs de guitarra para improvisar com o Bill e então criar a música a partir disso, na verdade eu estava com a canção quase pronta logo de início. Peguei primeiro os sintetizadores e não a guitarra, foi natural. Não senti que devia pegar a guitarra primeiro e fazer os riffs. No fim, eu tinha o playback pronto e só então escrevemos a melodia vocal, por assim dizer.
Bill: Exatamente, sempre fizemos assim. Na verdade, o Tom sempre tinha as faixas e partes prontas, e a partir disso desenvolvíamos a música. Ele é viciado em ficar no estúdio, tenho que dizer que sou diferente nesse caso. Tom fica lá de manhã até a noite e faz tudo sozinho. Eu só participo quando está quase tudo terminado.
Tom: Depois, em um certo ponto durante a produção, nós adicionamos os instrumentos ao vivo. Isso também foi importante para nós porque queríamos ter aquele som especial. Não queríamos fazer um álbum de DJ. Foi muito bom ter essa pressão dos instrumentos.
Bill: Uma música como "Girl Got A Gun", por exemplo, começa puramente eletrônica e na parte C a bateria ao vivo é adicionada. Acrescentamos isso mais tarde quando estávamos juntos no estúdio em Hamburg.

Foi aí que vocês todos se juntaram...
Georg: Exatamente, nós nos encontramos com eles e refinamos tudo, por assim dizer.
Tom: Mas eu já tinha enviado as músicas para os caras antes.
Bill: Estamos sempre nos comunicando.



Como vocês disseram antes, "Stormy Weather" foi a primeira das músicas novas, que foi criada assim, então ela já deve ter alguns anos. Acho interessante que dá para perceber que ela é estilisticamente mais parecida com "Humanoid" do que as músicas que vocês escreveram depois.
Bill: Exatamente, foi meio que uma jornada. Foi nossa base, por assim dizer, decidimos fazer assim e fomos em frente. Em um certo ponto, eu pensei "uau, tudo isso é muito irado e incrível", então fizemos uma balada no meio tempo, apenas com piano. Havia uma versão dançante para "Run, Run, Run", por exemplo. O que eu também gosto é que essa versão combinou com os vocais lentos. Fizemos coisas completamente novas, como falsete, por exemplo. Ou seja, havia uma versão totalmente produzida, mas acabamos decidindo não usá-la.

Vocês acham também que o público fica ofendido se uma banda de rock se aventura com sons eletrônicos do que vice-versa?
Bill: Sim, acho que é porque algumas pessoas que não entendem nada de música acham que música eletrônica é mais simples e menos valiosa. Mas isso é besteira, não é verdade.
Tom: Para mim, é dez vezes mais fácil gravar com uma guitarra e ter diretamente o som que quero. Se eu quiser ter um riff legal de sintetizador, às vezes demora várias semanas para fazer um. As pessoas têm uma impressão errada, elas acham que é só adicionar um teclado, gravar e automaticamente o som fica incrível, porque vem de um computador. A maioria das pessoas nunca fez isso e justamente por isso não sabe quão trabalhoso é.

E quantos sons que podemos ouvir no álbum foram feitos por você e quantos foram devido à influência dos produtores?
Bill: Muitos. Nós fizemos muitas coisas por conta própria, que não tiveram influência dos produtores. Por exemplo, fizemos "Girl Got A Gun" por conta própria, do início ao fim.
Tom: Colocamos muitas músicas em um processo final de mixagem só no fim. Na verdade, 80% das batidas básicas e sons vêm de nós. No que diz respeito à composição e letras, nós consultamos algumas pessoas, é claro.
Bill: Por exemplo, fizemos uma versão para a música "We Found Us", mas o produtor, que trabalha com a gente há muito tempo, tinha um sintetizador legal e nos mandou e disse para ouvirmos. Agora tudo funciona online, eles nos mandam as coisas, nós ouvimos, achamos incrível, Tom mexe um pouco nele [sintetizador] e carrega no computador. Hoje em dia as pessoas não se reúnem mais no estúdio.

O que não parece ser mais polêmica é a questão de vocês não cantarem mais em alemão. Vocês fizeram uma coletiva de imprensa na semana passada e eu tinha certeza de que a primeira pergunta seria sobre isso, mas não foi.
Tom: Verdade! Foi menos polêmico do que esperávamos. Achei que isso seria um escândalo em todo lugar, mas não foi bem assim. (risos) A razão para isso é que escrevemos em inglês desde o início e não queríamos mais traduzir.
Bill: Com "Humanoid" fizemos o mesmo álbum em alemão e inglês. Mas foi trabalho jogado fora. Fizemos porque achamos que tínhamos que fazer. Mas durante o processo em si, muita coisa se perdeu. Eu tive que cantar todas as músicas duas vezes. E às vezes você acha que a música não é tão boa em alemão ou em inglês, mas você tem que fazer mesmo assim. Você não se sente bem quando lança algo por ser apenas um compromisso e que não foi criado naturalmente. Por isso, desta vez, nós conversamos com nossa gravadora logo de início e dissemos que queríamos fazer um álbum do jeito que ele fosse criado e eles entenderam.
Tom: Se uma música for escrita em alemão, ela vai ficar em alemão.
Bill: Mas só escrevemos em inglês desta vez. Pode ser que algum dia a gente escreva uma música em alemão de novo. Mas aí não vamos traduzir. (risos)



Tradução original: Herzblut @ TokioHotel_Info
Tradução para Português BR por: Naah - LdSTH
Fonte

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