





Texto por: Philipp Jessen - Fotos por: Ellen von Unwerth
Capa:
Bill Kaulitz fala
"Eu estou com medo"
O cantor do Tokio Hotel fala sobre cordas vocais danificadas, sexo com groupies e seu próprio funeral
Páginas 42 e 43
Bill Kaulitz, vocalista do Tokio Hotel, fala sobre cordas vocais danificadas, a droga que é a fama, e seu próprio funeral.
"Sexo com groupies me dá nojo"
Imagem: Bill Kaulitz (18) no photoshoot para a Vanity Fair em um apartamento no bairro Prenzlauer Berg, em Berlim
Páginas 44 e 45
Citação: "Se eu já fiz sexo ou não deve permanecer como o meu segredo"
Imagem: Bill - [na imagem] com duas modelos - prefere "encontrar o amor da sua vida do que curtir por aí"
Página 46
Citação: "Eu não tenho tempo para a solidão."
Página 47
Imagem: O cantor se apaixonou pela última vez há três anos e meio. "Na minha situação, eu teria que ter muita sorte para encontrar a garota certa."
Texto no quadro:
Biografia
Bill Kaulitz, 18
Vida: Nascido em Leipzig em 1º de setembro de 1989. Seu irmão gêmeo Tom é dez minutos mais velho. A dupla cresceu com a mãe Simone e o padrasto Gordon Trümper, perto de Magdeburg.
Carreira: O álbum de estréia "Schrei" alcança o número 1 das paradas em 2005. Desde esse dia, o Tokio Hotel é a banda mais bem sucedida da Alemanha com tours esgotadas e prêmios como MTV Award, Echo e Bambi.
Página 48
Imagem: Bill já sonhava com fama e atenção ilimitada quando ele era uma criança entendiada.
Página 49
Citação: "É mesmo verdade: A fama é totalmente uma droga. A retirada seria difícil."
Página 50
Imagem: O controlador assumido já sabe como vai ser seu funeral.
Página 51
Citação: "Eu vou usar uma jaqueta de couro e uma peruca no meu caixão."
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Entrevista:
De acordo com uma regra bronze de jornalistas entrevistar um garoto de 18 anos é tão razoável como ordenhar uma pedra. É diferente com Bill Kaulitz. Se é sobre o seu primeiro beijo ou o vício da fama: o cantor, que muitas vezes é ridicularizado como sendo uma estrela teen gay, é muito mais eloquente do que a maioria dos veteranos alemães do showbiz. VANITY FAIR se encontrou com o Bill antes de sua cirurgia e esteve em contato com ele via e-mail após a operação.
Vanity Fair: Senhor Kaulitz, como você se sente depois da cirurgia nas suas cordas vocais?
Bill Kaulitz: Oh bem, como você se sentiria depois que alguém gentilmente enfiou uma vara de metal pela sua garganta abaixo enquanto você estava sob anestesia geral, para depois cortar ao longo de suas cordas vocais usando pequenas facas. Todo mundo sabe como é isso. Cara, eu estou realmente feliz por já ter feito e acabado com isso. Mas ainda estou com medo pela minha voz e, além disso, me sinto cheio de remorsos por causa dos concertos cancelados.
V.F: Por quanto tempo você ficará fora do palco?
B.K: Eu não estou autorizado a falar por 12 dias após a cirurgia. Depois, eu tenho que ir para a reabilitação de voz durante quatro semanas. Eu estou realmente apto para isso! [sarcasmo]
V.F: Vamos falar sobre o seu início. Diz-se que a criatividade se alimenta da memória de traumas e mortificações. Quais foram os seus?
B.K: O maior trauma foi a separação dos meus pais. Eu tinha sete [anos] e não entendia. Isso me afetou muito. Há uma canção sobre isso no nosso primeiro álbum. Chama "Gegen meinen Willen" ("Contra a minha Vontade").
V.F: Alguns sabem que seu padrasto Gordon Trümper é professor de guitarra. E o seu pai biológico?
B.K: Ele é motorista de caminhão e mora em Hannover.
V.F: Quando você tinha oito anos sua família se mudou de Magdeburg para Loitsche, uma vila com 700 habitantes. Como você experienciou essa mudança?
B.K: Eu me senti péssimo porque eu não sou uma pessoa caipira. Pode-se imaginar como Tom e eu nos excluíamos. Eles nos olhavam como se fôssemos alienígenas que perderam a nave. A escola era horrível também. Toda manhã eu tinha que levantar às cinco e meia para pegar o ônibus para Wolmirstedt e só voltar para casa às quatro e meia. Como eu odiava isso! E então, [havia] sempre as mesmas caras na escola. Essa foi a pior época da minha vida.
V.F: Como os professores respondiam aos irmãos Kaulitz?
B.K: Tom e eu estivemos sempre juntos até a sétima série. Então fomos separados como um castigo. Foi um verdadeiro tapa na cara que também me afetou muito. Até então fazíamos tudo juntos. Afinal de contas, somos gêmeos idênticos e extremamente próximos. É claro que lutamos contra a transferência disciplinar, mas os professores disseram que eles não seriam capazes de nos aguentar, porque falávamos muito. Eu não era alguém que levantava a mão e depois falava calmamente. Eu sempre gritava. Minha mãe era convocada para ir a escola a cada dois dias.
V.F: Era uma de suas especialidades recorrer contra a marcação das provas se essas não fossem dadas de volta no tempo devido. Onde você conseguiu essa habilidade?
B.K: Eu sempre soube que não precisava de escola porque eu seria um cantor. Como eu estava muito irritado com os professores, eu dei uma olhada nos meus direitos. Eu sabia exatamente o que eles [professores] estavam ou não autorizados a fazer. Alguns dos meus professores eram difíceis de aturar. Alguns não queriam me cumprimentar porque meu cabelo era diferente e minhas unhas estavam pintadas de preto. Eles pensavam que eu não podia ir para escola assim. Um deles não queria me ensinar porque eu tinha esse estilo. Comentários como "uma cabeça não serve só para cabelo extravagante" eram feitos. Eu era um anti-aluno e não aturava nada disso.
V.F: Como eram suas notas?
B.K: Ótimas. Eu sempre tive uma nota média de 1,8. Isso era o que mais irritava os professores.
V.F: Os professores eram capazes de te ofender?
B.K: Nem um pouco. Afinal de contas eu não era um louco que roía as unhas. Eu era totalmente autoconfiante. Eu [propositalmente] ia para a escola assim porque sabia exatamente que todo mundo olhava e os professores falavam sobre isso. Eu sempre gostei disso. Eu queria atrair a atenção com o meu estilo. As pessoas deveriam falar de mim.
V.F: Você terminou o colegial através de escola por correspondência não muito tempo atrás. Qual é a importância de ser capaz de distinguir entre omelete e Hamlet?
B.K: Bem, alguém deve ser capaz de dizer a diferença. No entanto, a escola em geral é pouco individual. Por que estudar matemática quando sei que nunca vou precisar dela na minha vida de novo? Eu abandonei as aulas de música na oitava série. Todo mundo olhou incrédulo para mim naquela época. No entanto, [durante essas aulas] nós só tínhamos que memorizar as biografias de algumas pessoas - [ou seja] zero de inspiração. Eu sempre tive notas ruins em canto porque eu tinha que cantar algumas canções populares. Era horrível!
V.F: O clichê usado em demasia na música foi o estopim para escapar da verdadeira melancolia caipira no seu caso?
B.K: Sim. Eu sempre pensei: eu só tenho que ficar longe dessa cidade miserável com água ao redor, onde todo mundo conhece todo mundo! Para mim a vida cotidiana é a pior coisa que existe. Eu odeio rotina. É exatamente por isso que eu tenho a coisa certa com o Tokio Hotel. Todo dia é diferente: novas cidades, pessoas diferentes.
V.F: Graças aos paparazzi e os chamados “Leserreporter” [repórteres amadores sem qualificação para a mída que, por exemplo, oferece artigos, fotos para a mídia impressa ou online] você está sendo observado de perto 24 horas por dia e 7 dias por semana. Isso é impertinente ou uma verdadeira satisfação para você?
B.K: Quando eu era um garoto, eu imaginava que as minhas ações fossem gravadas por câmeras e transmitidas ao mundo. Eu queria atenção ilimitada. Esses dias que eu sonhava na minha infância se tornaram realidade. E eu dificilmente posso ser incomodado com isso.
V.F: Será que outra pessoa será tão importante para você quanto o Tom?
B.K: Não. Isso realmente supera tudo. Eu também não poderia imaginar uma vida sem o Tom. Não há nenhuma maneira para descrever o quão próximos nós somos. É quase algo fora desse mundo. Nós temos os mesmos pensamentos e muitas vezes sonhamos com as mesmas coisas. Na verdade, nós nem sequer precisamos falar um com o outro.
V.F: Muitos gêmeos idênticos entendem sua simbiose como uma responsabilidade e se fornecem com cenas esgotantes.
B.K: Claro que também discutimos. E quando brigamos, [é] muito intenso. Então esse é realmente o caso de irmos pra cima e nos batermos. Há um ano nos batemos com cadeiras em um quarto de hotel. No entanto, não guardamos rancor. Portas se batem, cada um de nós desaparece e dez minutos depois, estamos nos falando.
V.F: Quem está mais próximo de você: o Bill natural ou o com maquiagem?
B.K: Definitivamente o com maquiagem. O Bill sem maquiagem é como um disfarce para mim. Se eu não fosse famoso, eu ainda andaria assim [maquiado]. É totalmente uma parte de mim.
V.F: Quem te vê em seu estado natural?
B.K: Minha família. E só.
V.F: Estrelas teen são espécies de artistas com a vida mais curta porque eles se destroem à medida que envelhecem. Você vai mudar de estilo de vez em quando e tentar manter sua imagem interessante?
B.K: É definitivamente bom mostrar que alguém pode falhar. No entanto, eu não me estresso muito sobre isso. Eu acho que é ruim fazer algo para que as pessoas não se distanciem de você. O que eu odiava no início eram as bandas antigas ou algumas pessoas de gravadoras que queriam me explicar como tudo funciona. Não há coisa pior do que conselhos! Em nossas primeiras reuniões com a gravadora, eles queriam empurrar um estilista para cima de nós para cuidar de nossas aparências. Até hoje eu não tenho um estilista que me diga o que eu devo vestir. Isso iria me restringir. Nós também decidimos cada concerto e cada contrato por nós mesmos porque eu acho que é muito ruim não ser auto-determinado.
V.F: Quem ainda pode dizer não a você?
B.K: Ninguém relacionado ao trabalho. Nem o management nem a gravadora. Os únicos que eu realmente ouço são os meus melhores amigos e a minha família. Minha mãe pode dizer "Bill, você está fora de si!" para mim. É algo que eu pensaria um pouco então.
V.F: Os seus pais ainda tentam te controlar nos dias de hoje?
B.K: Eu tenho que dizer que a nossa mãe nunca realmente nos controlou. Fazer a lição de casa era totalmente opcional. Ela nos deu total liberdade, mas sempre manteve um olho em nós, ao mesmo tempo. Há uma enorme confiança entre nós. Nós nos tratamos como amigos. Não há realmente nada que eu não diria a minha mãe. E eu nunca mantive um segredo dela. Quando eu cheguei em casa bêbado pela primeira vez, ela falou o que pensava, mas eu não precisei ter medo dela.
V.F: Sua mãe pede para você deixar seu cabelo normal para a Véspera de Natal, pelo menos?
B.K: Não. Isso não importa para ela. Eu tingi o cabelo pela primeira vez quando tinha nove [anos]. Depois disso variei de verde pra azul, preto e branco. Eu já tinha meu piercing na sobrancelha quando eu tinha 13. Ela também não se importou.
V.F: Em seus concertos uma média de 200 adolescentes do sexo feminino cai em êxtase e cartazes com slogans como "me f*** através da monção" são erguidos. Como você se sente sabendo que milhões de garotas projetam suas primeiras fantasias sexuais com você?
B.K: Para ser honesto, eu não penso muito nisso. Às vezes, olhamos uns para os outros e temos que rir porque não podemos imaginar que alguém tenha um poster de um de nós na parede. Porém, eu sempre imaginei que seria legal ser realmente pendurado em uma parede em algum lugar. No passado, muitas vezes eu sentei no meu quarto pensando sobre o que a minha ídola, Nena, estaria fazendo naquele exato momento, onde ela estaria e o que ela estaria pensando. De alguma forma, eu realmente não posso imaginar que outras pessoas agora sentam em seus quartos e pensem em mim. Para mim, eu sou tão normal e nós não nos distinguimos como especiais. Também esquecemos de nós mesmos.
V.F: Com que frequência você se percebe na terceira pessoa?
B.K: Às vezes. Acidentalmente. Quando eu não estou motivado para fazer algo, eu penso: De qualquer forma, Bill, você deve fazer porque é bom para a banda.
V.F: Sua postura em aparições públicas parece estranha para algumas pessoas. Existe ainda uma diferença entre o Bill artístico e o Bill verdadeiro?
B.K: Um mantém algumas coisas para si mesmo. Mas, além disso, há inevitavelmente nenhuma diferença grande. Os últimos três anos foram corridos sem nenhuma interrupção. Não houve um corte de modo que você chegasse em algum lugar e pudesse ter algum tempo privado. Mesmo em tour nós estávamos cercados por câmeras 24 horas por dia. Quando se deve experienciar algo sem todos ficarem sabendo algumas horas mais tarde? No entanto, isso é o que eu sempre quis. Portanto é preciso chegar a um acordo com isso.
V.F: Aqueles que nós invejamos raramente se sentem invejados. O que é irritante em ser Bill?
B.K: O problema básico para pessoas como eu é a confiança. Eu acho muito difícil acreditar em alguém e me deixar levar. Eu não ganhei nenhum amigo ou me apaixonei nos últimos anos. Quando eu conheço alguém, sou muito cuidadoso e cético e me pergunto: O que está por trás disso? Infelizmente já experienciaram muitas pessoas que foram estranhas ou contaram a jornalistas algumas coisas depois de tudo. Se eu não fosse conhecido assim, provavelmente teria me apaixonado por alguém que já conheço há muito tempo.
V.F: Quem pior traiu a sua confiança?
B.K: Eu nunca me deixei ir muito por alguém que eu não tenho chance. Estou cercado por um escudo protetor. Liberdade para sair e conhecer alguém sem ter que avisar ninguém é o maior sacrifício que é preciso fazer. No entanto, minha vida atual é exatamente o que eu sempre quis ter.
V.F: A questão de confiança é a razão pela qual as estrelas muitas vezes gostam se relacionar com outras estrelas?
B.K: Sim. Angelina Jolie não tem que se preocupar se Brad Pitt quer se tornar famoso por meio dela. Uma celebridade prefere procurar alguém que tenha a mesma vida que ela e seja capaz de se sentir entusiasmado. Minhas namoradas nunca entenderam que eu ia para a nossa sala de ensaio logo depois da escola e nos fins de semana eu preferia me apresentar em bares do que ficar assistindo televisão com elas em casa. É claro que tudo é mais difícil hoje em dia. Quem iria viver esta vida com você? E, claro, essa pessoa também teria que entender que não se pode simplesmente sair dessa vida novamente.
V.F: Quando você se apaixonou pela última vez?
B.K: Há três anos e meio. Eu não encontrei o amor da minha vida. Eu também não acredito que todo mundo ache. E se assim for, então é apenas uma vez. Na minha situação, eu teria que ter muita sorte para encontrar.
V.F: Com 18 [anos] você não prefere curtir sem parar, de qualquer maneira?
B.K: Eu não sei. Especialmente com esta vida, eu realmente prefiro encontrar o amor da minha vida do que curtir por aí. O pouco tempo que tenho eu gostaria de compartilhar com alguém que eu conheça: Ela deve ser A garota!
V.F: Você já disse "eu te amo" para uma garota?
B.K: Sim. Mas eu não deveria ter feito isso. Eu deveria ter dito "estou apaixonado por você". Quanto mais velho eu fico, mais sério eu me torno sobre essa diferença. Tom provavelmente diz "eu te amo" para conquistar as garotas o tempo todo.
V.F: Vocês competem pelas mesmas garotas?
B.K: Nós gostamos do mesmo tipo. Nossas namoradas também era amigas umas das outras. Era horrível porque elas sempre se uniam contra nós. Nosso primeiro beijo foi com a mesma garota. Tom foi primeiro. Um dia depois, ela começou a me beijar. Então nós dois tínhamos passado por isso. Oh Deus, eu achei que foi uma porcaria - tão horrível como o primeiro beijo é para qualquer um.
V.F: Quantos anos você tinha na época?
B.K: Onze. Ela era três anos mais velha e já experiente.
V.F: Quando foi a primeira vez do Tom?
B.K: Com 14, se bem me lembro.
V.F: Diz-se que o Tom sai com mulheres como se não houvesse amanhã.
B.K: Eu o deixo completamente. Ele ainda tem a coragem de ter alguém diferente a cada noite. Eu não conseguiria fazer isso. Sempre fomos diferente quando se trata disso.
V.F: Seu colega Robbie Williams uma vez nos disse que há dois tipos de groupies na Alemanha. Algumas que querem tirar uma foto com a câmera digital durante o sexo para ser capaz de apresentar alguma prova para os amigos. Outras perguntam "Robbie, seus sentimentos por mim são realmente verdadeiros?" no meio do sexo.
B.K: Tom também me diz isso. Desde que estamos na estrada por tanto tempo, eu não tive ninguém na minha cama. Também me dá um pouco de nojo deixar alguém que eu não conheço deitar na minha cama toda noite. Eu não estou nesse ponto ainda. Eu não teria sequer a confiança para levar uma garota comigo por apenas uma noite. Afinal, o quarto de hotel é a única privacidade que se tem por estar na estrada todo dia. E assim mesmo deixar alguém dormir lá por uma noite - bem, não, eu sou totalmente cético sobre isso.
V.F: Você já fez sexo?
B.K: Eu gostaria que esse continuasse sendo o meu segredo.
V.F: Você se surpreende por alguns pensarem que você seja gay?
B.K: Não muito. A maioria tem essa maneira clichê de pensar: maquiagem mais cabelo estiloso é igual a gay. Esta não é exatamente a afirmação que eu queria fazer. Todo mundo pode fazer o que quiser. Uma coisa não tem necessariamente a ver com a outra.
V.F: O que você faria se fosse uma garota por um dia?
B.K: Definitivamente não dormiria com o meu irmão.
V.F: Mas?
B.K: Oh Deus, o que eu faria? Provavelmente o mesmo que eu faço agora, porque para mim não faz muita diferença.
V.F: Qual proibição você gostaria de fazer para as meninas?
B.K: Ter ciúmes porque o ciúme é extremamente importante. Quando estou apaixonado eu imediatamente alego todo mundo e não solto mais. Eu ficaria louco se minha namorada me dissesse: "Olha Bill, eu não me importo com todas aquelas meninas gritando. Eu confio totalmente em você."
V.F: Você já foi traído?
B.K: Não. Eu também nunca traí. Fidelidade é a coisa mais importante para mim.
V.F: Como você irritava suas namoradas?
B.K: Eu falo muito alto. O dia todo. E sempre uso minhas mãos e meus pés. E eu também não deixo ninguém terminar de falar. Isso já irrita muito todo mundo.
V.F: O que é mais difícil: amar alguém ou a si mesmo?
B.K: A si mesmo. É meio difícil permanecer fiel a tudo o que você é. Há incrivelmente muitos momentos em que eu sou inseguro e gostaria de cavar um buraco para mim mesmo: entro, puxo um cobertor até a cabeça e permaneço debaixo dele por um ano. Às vezes eu fico muito feliz por estarmos nesta corrida tendo um show após o outro, porque desta forma você não consegue pensar realmente nisso. Não tem tempo para a solidão.
V.F: Você ainda consegue viver por si só?
B.K: Eu não posso simplesmente ir à padaria. É claro que isso é feito por outra pessoa. No entanto, eu ainda estou confortável a esse estilo de vida porque eu tenho o problema de ser incrivelmente perfeccionista. Não posso ceder nada. Essa mania de controle já é anormal - e continua a piorar. Tudo tem que ser definido até o mínimo detalhe, porque eu preciso saber exatamente o que está vindo até mim. Caso contrário, eu estou tendo um colapso. Tom também é totalmente estressado com isso. Apesar de pagarmos muitas pessoas para nos aliviar de tudo isso. No entanto, acabamos de nos criar e, portanto, achamos difícil quando outras pessoas se envolvem no Tokio Hotel.
V.F: Você também controla suas finanças?
B.K: Sim. Nós já fazíamos isso com 13 anos. Eu tenho acesso a todas as contas e as controlo como a minha carreira.
V.F: Você sabe em quantos milhões sua fortuna é estimada?
Uma mulher com o crachá da gravadora grita ao fundo: "Sem conversa sobre dinheiro!"
V.F: Quando você vai dar uma casa para os seus pais?
B.K: Assim que eu puder pagar. Eu definitivamente gostaria de morar com os meus pais. Somos tão próximos, eu não ia achar pesado. Não há limites onde eu diga: "Oh Deus, você tem que sair agora, por favor."
V.F: Vamos supor que você seja sequestrado. Que quantia de resgate seria razoável na sua opinião?
B.K: Tanto quanto todos os meus amigos poderiam dar juntos. É claro que eles deveriam receber o dinheiro de volta depois.
V.F: O que você acha sobre a queda de Britney Spears?
B.K: Eu consigo entender como algo assim possa acontecer, porque eu também vivo esta vida. Pessoas de fora provavelmente pensam: "Ela tem dinheiro, conseguiu tudo, por que não relaxa?" Eu não poderia imaginar ter uma carreira solo e ficar sozinho na estrada o tempo todo. Não me atrevo a ter de suportar essa pressão imensa sozinho.
V.F: Em 1991, Madonna disse: "Eu só serei feliz quando for famosa como Deus". Será que ela é espiritualmente semelhante a você?
B.K: Claro que é uma declaração engraçada. No entanto, posso compreender, porque não há nenhuma pausa. Não se diz: "Ah bem, agora que sou bem sucedido na Alemanha, é realmente bom o suficiente para mim". De alguma forma você tem o impulso para ter o maior sucesso possível em todos os lugares. Mesmo se eu fosse podre de rico e tivesse minha própria ilha, eu continuaria. É mesmo verdade: A fama é totalmente uma droga. A retirada seria definitivamente um verdadeiro golpe que eu iria achar difícil de lidar.
V.F: Se as drogas não fossem ilegais: qual delas você gostaria de experimentar?
B.K: Algo relaxante que resultasse em eu não ter que controlar mais nada.
V.F: Você é uma estrela em seus sonhos?
B.K: Eu tive um pesadelo uma vez: eu deito na cama em um quarto feito de vidro e estou cercado por fotógrafos que não param de tirar fotos. Eu digo a alguém da nossa equipe: "Merda, merda, você não pode simplesmente mandá-los embora?" Mas a pessoa diz: "Não, não posso. Você tem um compromisso e dormiu demais." Mesmo assim, eu nunca perdi um compromisso. Eu sempre uso três despertadores, para que eu definitivamente não durma demais. Eu também sou sempre pontual.
V.F: Por que ninguém nunca te viu dançar?
B.K: Eu nunca danço. Eu sempre sento no canto - a menos que eu esteja totalmente bêbado. Nesse caso eu também posso dançar. Eu acho que dançar é coisa de garota. Mesmo que isso soe um pouco machista agora: Só as garotas têm que dançar em todos os lugares.
V.F: Você às vezes pensa sobre o seu funeral?
B.K: Eu honestamente tenho que dizer: Sim. Meus amigos, que têm a mesma idade que eu, também pensam sobre isso. Imaginamos quais pessoas estariam lá e quem realmente choraria por nós.
V.F: Qual música deve ser tocada no seu enterro?
B.K: "Magic Dance" de David Bowie do filme "Labirinto". Essa é uma música muito engraçada e "Labirinto" é um filme da minha infância que eu gosto até hoje.
V.F: O que você usaria em seu caixão?
B.F: Eu estaria completamente de preto e vestiria uma jaqueta de couro. Meu último desejo seria definitivamente que meu cabelo estivesse arrumado. Espero que eu ainda tenha cabelo nessa época. Se não, alguém deveria definitivamente colocar uma peruca em mim.
Tradução original: THUKST
Tradução para Português BR por: Naah - LdSTH
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