quarta-feira, 23 de setembro de 2009

KSTA.de - Tokio Hotel: O último pedaço de liberdade


Os gêmeos Bill e Tom Kaulitz da banda Tokio Hotel são há anos músicos da banda mais bem sucedida da Alemanha. Na entrevista falam sobre a sua falta de privacidade, o seu novo single e Angela Merkel.


Já passaram dois anos desde o seu último álbum. Tiveram uma boa pausa?
Bill Kaulitz:
Não tivemos férias, estivemos em tour pela América do Norte e passamos quase um ano trabalhando no álbum. Mas neste país, temos de nos esconder um pouco.

Porquê isso?
Bill:
Já não podia ver a minha própria cara e nem ouvir o meu nome. Pensei "Por favor pessoal, escrevam sobre outra pessoa qualquer". Queria ter a minha paz e poder me concentrar em fazer música.

O que resta da sua vida pessoal?
Bill:
Nada.
É mesmo assim?
Bill:
Sim, é. No sentido de já não termos vida privada. Não podemos sair para tomar um sorvete com a família. O único momento do dia em que estamos sozinhos é no carro. Por isso é que queríamos tanto tirar a carteira de motorista. O nosso próprio carro é o lugar onde nos resta alguma liberdade.

Mas parece um pouco triste dizer "Apenas no nosso carro podemos ser nós próprios."
Bill:
Sim, exato. Este ano, o qual não estivemos em tour e estivemos apenas no estúdio, apenas se tornou claro do que nós tínhamos desistido. Mas faríamos isto de novo, sem pensar duas vezes. No momento em que estamos agora não podemos mesmo fazer as duas coisas. Apenas podemos fazer uma delas. Às vezes estou no estúdio cantando e penso "Fantástico, vai receber mais dinheiro por isto". Para além disso, estou completamente feliz. Não preciso de fazer mais nada visto que não tenho mais nenhum interesse.


Como passam os seus tempos livres?
Bill:
Na realidade, trabalhando. Rimos sempre que lemos "A máquina do Tokio Hotel". Isso são tudo tretas. Temos a nossa equipe mas eu e o Tom fazemos praticamente tudo sozinhos. Arranjamos pessoas que são virtualmente as nossas "ferramentas" por nós próprios. Mas é a nossa banda. Eu e o Tom fundamos o Tokio Hotel e eu não deixaria as decisões da banda para as decisões de outra pessoa qualquer.

"Automatic" é o novo single. Do que fala?
Bill:
Nós usamos muitas vezes essa palavra, centenas de coisas acontecem automaticamente na vida. Mas não o amor. O qual não deve ser automático.

Mas muitas relações funcionam em piloto automático.
Tom:
Sim. Não consigo imaginar estar junto com alguém durante tanto tempo. De certa forma, tenho um problema com relações longas e acho importante que deve continuar a ser interessante para o outro e o outro achar algo de interessante em você. Não me imagino vivendo junto com uma mulher.

Não mesmo?
Bill:
Eu consigo. Quando estou apaixonado, não me importo com mais nada. Posso pegar as minhas malas e ir imediatamente para outro lugar qualquer.
Tom: Esquece, Bill. Vamos viver juntos para o resto das nossas vidas.
Bill: Sim, mas então temos de montar uma porta de correr no meio do nosso apartamento. Vou viver de um lado com a minha namorada e você do outro.

Quer dizer que vocês partilham a mesma casa?
Bill:
Sim e não consigo imaginar de outra forma. Nunca poderíamos viver separados. Cada um tem o seu banheiro e quarto, mas fora isso estamos todo o dia juntos.

Bill, está apaixonado neste momento?
Bill:
Não, mas gostaria muito. Já estou farto de dar sempre a mesma resposta. Mas neste momento não há ninguém. Quero tanto me apaixonar. Mas talvez isso seja a última coisa que vai acontecer na minha vida.

Porque acha isso?
Bill:
Muitas pessoas me dizem que as devia conhecer. Mas depois vejo que há outras coisas por trás disso. Não posso esperar que as pessoas se queiram envolver com seriedade comigo. Se vou a algum lado, eles veem o Bill Kaulitz. Alguns deles até têm símbolos de dólares nos olhos e querem me dar alguma coisa e dizem sempre algo do gênero "Sou um designer, quer vestir a T-shirt que desenhei?". É tão revoltante!
Tom: Nos últimos quatro anos não temos feito amigos. Primeiro porque não pode confiar em ninguém tão rápido e segundo é sempre tudo tão rápido que a maioria das vezes são coisas superficiais.
Bill: São raras as vezes em que conhecemos pessoas normais. Seria fantástico se pudesse conhecer alguém que viveu durante dez anos sem televisão, nas montanhas e que diz "Tokio Hotel? Nunca ouvi falar deles". Sempre que isso acontece penso sempre "Sim! Obrigado".

Bill, muitas garotas pensam que não está interessado nelas, mas sim em rapazes. Isso te irrita?
Bill:
Não, não me irrita. Isso foi algo que sempre me aconteceu ao longo da vida. E na escola não era diferente.
Tom: E as garotas raramente pensam que o Bill é gay. Sempre houveram "ofertas" que sobrassem para ele. Seriam certamente mais os rapazes a pensar que ele é gay.
Bill: E muitos rapazes se sentiam mal porque eu tinha namorada e eles não. Porque sou pouco másculo. Mas isso nunca foi um grande problema.

Os homens tem alguma hipótese com você?
Bill:
Não, estou mais virado para as mulheres. Nunca fiz nada com um rapaz nem nunca tive experiência nenhuma.
... E não quer talvez um dia ir "nessa direção"?
Bill:
Até agora não tenho nenhum interesse em ir para esse lado *risos*.

Vocês também são muito bem sucedidos nos Estados Unidos da América agora. Lá os recebem de uma maneira diferente da Alemanha?
Bill:
Sim, primeiro ao estrangeiro chegou a nossa música e só depois o resto. Na Alemanha a história é diferente. Lá se fala do fato do vocalista do Tokio Hotel ser excêntrico mas ao menos ouvem as músicas.

Às vezes sentem pena se um dia a sua carreira acabar?
Bill:
Hmm. Aconteça o que acontecer, asseguramos uma longa carreira e provamos muito. No início, muitos pensaram que teríamos apenas um sucesso e que nós provamos de forma errada. De qualquer forma, acho que há sempre altos e baixos. Já houveram momentos em que a nossa carreira se foi um pouco abaixo. Se o álbum "Humanoid" não suceder bem o próximo álbum vai ser bem sucedido. Não me vou entregar assim tão facilmente.

O que fazem a todo o seu dinheiro?
Bill:
Se quer ser rico, se torne jogador de futebol ou pilotos de corrida. Eles sim, fazem muito dinheiro. No universo da música está tudo incrivelmente exagerado, há sempre grandes especulações de quanto ganhamos. Dos 30 euros de cada bilhete de concerto apenas recebemos uma pequena fração. Mas também temos gastos. Por exemplo, gravamos na África do Sul o nosso videoclipe e fomos nós que o financiamos. Também pagamos a toda a nossa equipe. Esses gastos são extremos.
Tom: Eu e o Bill não compramos casa, propriedade nem um iate. Alugamos tudo.

Em breve são as eleições parlamentares. Estão interessados em política?
Bill:
Posso dizer que estamos normalmente interessados. Não entramos excessivamente dentro do assunto mas, seja como for, não nos desinteressamos completamente por política.

Gostam da Angela Merkel?
Bill:
Não quero influenciar ninguém, mas sim, acho que a Angela Merkel é boa no que faz. Até hoje ela tem batalhado muito. E, ao contrário dos outros, ela continua bem. Ela age como uma mãe afetuosa.



Tradução:
aniinhas - THF Portugal

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