Artista Dinâmico: O Tokio Hotel transpira energia pura no palco e os fãs sentem cada batida.
Vindo do mesmo país que o Rammstein e o Scorpions, o Tokio Hotel não procura comparações com essas lendas, marcando a diferença no caminho musical e apelando a uma faixa etária diferente.
Os pais que pensavam que iam ter um Dia do Trabalho descansado, pensaram mal, quando muitos deles tiveram de escolar os seus filhos para ver a maior banda alemã, ao vivo, no dia 1 de Maio em One Utama.
Ao se encontrar com os quatro membros da banda antes do concerto, sob o olhar atento de dois grandes e expressivos guarda-costas, este escritor pensou que iria ser uma conversa difícil com os membros da banda. Mas afinal de contas, descobriu que são apenas quatro rapazes normais (se não se ligar muito às andróginas escolhas de moda do vocalista Bill Kaulitz) que gostam de brincar uns com os outros e de fazer música juntos enquanto estão na estrada. Praticamente, não existem segredos entre eles.
“Ele é trapalhão, preguiçoso e chega sempre atrasado,” disse o guitarrista Tom Kaulitz, que também é o irmão gêmeo de Bill, olhando de canto para Georg Listing. Apoiando o seu irmão, Bill concorda com a afirmação do irmão com uma pequena gargalhada.
“Isso não é verdade”, retalia Listing, que mais tarde pôde se vingar quando lhe perguntei como descreveria Bill: “Egoísta”.
“Não é a palavra certa para descrever,” ri Bill. “Não”, responde Listing.
Enquanto três deles parlavam entre si (especialmente Bill que encaixa muito bem no papel de vocalista) e respondiam às nossas questões, o baterista Gustav Schäfer esteve quieto na maior parte do tempo que durou a entrevista, apesar de termos sido avisados de antemão pelos outros três que ele pode ser bastante maldoso.
“Cuidado com o que pergunta, porque pode muito bem ser a sua última pergunta,” riram Bill e Tom.
Um confronto saudável entre os rapazes, que é quase normal, e isso não deve ser uma surpresa na verdade, especialmente uma vez que estão juntos já há 10 anos.
Tendo começado com o nome Devilish, Listing e Schäfer (que tinham, respectivamente 14 e 13, na época) se conheceram na escola de música. Depois de terem observado Bill e Tom se apresentar ao vivo, no ano de 2001, eles se encontraram e formaram outra banda juntos.
Em 2003, depois de Bill ter ganho algum destaque ao participar no programa infantil Star Search, quando tinha 13 anos, a banda mudou o seu nome para Tokio Hotel. O nome surgiu devido ao seu gosto por Tóquio (Tokio é a designação alemã para a cidade) e porque eles estavam constantemente alojados em hoteis. Enquanto muitos devem invejá-los por pernoitarem em belos hoteis, existem algumas vezes em que os rapazes desejavam poder estar em casa. “Por vezes gostaríamos de nos deitar nas nossas camas e às vezes ficamos cansados da nossa agenda. Mas no final do dia, temos noção de que, este é o nosso sonho. Temos a oportunidade de viajar por locais longínquos e é sempre bom conhecer os fãs,” disse Bill.
O Tokio Hotel ainda tem dificuldade em acreditar que está na Ásia. Jamais tinha pensado que existiam tantos fãs na região. Os rapazes, subestimam o seu charme e a sua música, é claro.
“Foi louco e estava tudo fora de controle. Ninguém estava esperando tantos fãs. Não havia maneira sequer de chegar ao palco,” disse Bill.
Limitaram-se a ficar no carro enquanto os fãs rodeavam o veículo e não paravam de o abanar. Finalmente conseguiram chegar ao palco, e as coisas descontrolaram-se totalmente após terem se apresentado com duas músicas. Foi uma sorte ninguém ter se aleijado.
Ainda nesse sentido, a banda falou sobre um outro episódio que experienciaram em 2008, durante a sua tour europeia “1000 Hotels”. O Bill perdeu a voz depois de 43 concertos sem descanso. O resto da tour teve de ser cancelada quando se descobriu um quisto nas suas cordas vocais. Isto colocou uma nuvem negra por cima da banda e eles não sabiam o que fazer.
“Eu estava sentado no meu quarto de hotel e não podia fazer nada. Só podia olhar e ver os fãs que choravam. Foi totalmente inesperado e um dos momentos mais difíceis que a banda teve de ultrapassar. Eu tive medo de não poder voltar a cantar.”
Felizmente para o Tokio Hotel e para os fãs da Malásia, o Bill se recuperou. Dando um verdadeiro espetáculo de 14 músicas, o Tokio Hotel provocou um verdadeiro frenezim junto dos seus fãs.
Enquanto a multidão estava ansiosa com a primeira parte realizada pelo Pop Shuvit e Bunkface’s, estavam igualmente impacientes pela presença em palco do Tokio Hotel.
Tendo começado já atrasado, às 21:15, a banda apresentou uma excelente experiência sonora, que foi muito boa, enquanto os media sentados no fundo do recinto tiveram problemas em captar os momentos no palco com muitas cabeças pulando ao som da música na nossa frente.
As cordas vocais de Bill não mostraram quaisquer sinais de terem sido submetidas a uma cirurgia e brindou a multidão com os seus êxitos favoritos tais como Automatic e World Behind My Wall.
Dominando o palco, estavam pessoas completamente diferentes, em comparação com o Tokio Hotel brincalhão e reservado (sendo este o Schäfer) que tínhamos conhecido antes. Era energia pura no palco e a multidão podia senti-la.
Enquanto os fãs cantavam em coro cada música, todos tinham noção que aquela canção que todos esperavam, ainda não tinha sido tocada. Quando o Tokio Hotel deixou o palco, os fãs pediram em coro a música que tanto esperavam ouvir – Monsoon. Os gritos subiram de tom, quando a banda voltou a surgir e nos deu a versão alemã da música, Durch Den Monsun.
Depois de uma hora aos pulos no palco, o Tokio Hotel se retirou. Deixando os fãs lamentando o fato de ter terminado, com o anúncio de que a banda estaria em breve de volta à Malásia para um evento da MTV animando mais os espíritos.
Esta não foi, definitivamente, a última vez, que a Malásia viu o Tokio Hotel.
Tradução: TH Zone
Adaptação para Português BR por: Naah - LdSTH
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